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Prudente é palco do movimento

Já são mais de 30 mil brasileiros De Olho no Imposto. Esse é o total de adesões até a última sexta-feira, duas semanas após a caravana pela transparência tributária ter caído na estrada e percorrido seis cidades do interior paulista e Londrina, no Paraná. Outras 11 cidades do Estado de São Paulo serão visitadas até 23 de fevereiro.

A mais recente passagem da caravana tributária foi por Bauru, a 400 quilômetros da capital. Por lá, a meta será colher 33 mil assinaturas até o dia 1º de maio. A intenção do movimento De Olho no Imposto é obter 1,5 milhão de assinaturas para regulamentar, por projeto de lei popular, o parágrafo 5° do artigo 150 da Constituição Federal, que prevê que todo cidadão brasileiro tem o direito de saber quanto paga de imposto em cada produto ou serviço que compra.

O movimento pede para que essa transparência na cobrança dos impostos chegue ao cidadão por meio da inserção do valor dos tributos na nota fiscal de cada produto ou serviço que se compra. "A carga tributária alta, se retornasse de maneira correta para o cidadão, não significaria gasto para ele, e sim investimento. O movimento pretende conscientizar a população para que possa dizer se o investimento do governo é compatível com o que arrecada”, disse Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Bauru – Tudo indica que a meta na cidade será alcançada facilmente. Em apenas cinco horas de abertura do Feirão do Imposto, mais de 1,5 mil assinaturas já haviam sido obtidas. "Os impostos no Brasil são embutidos, não estão às claras. O movimento quer esclarecer a população de que ela paga imposto em tudo o que consome. Nosso primeiro passo é conscientizar as lideranças de várias cidades para que possam transmitir nossos objetivos onde elas têm influência. É assim que o movimento vai se multiplicando", explicou Cássio Carvalho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (ACIB).

Risco – Em Bauru, uma das preocupações era o fato de o movimento ocorrer em um ano eleitoral, o que pode emperrar a tramitação do projeto de lei no Congresso. Já Edson Reis, presidente da regional de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), acha que isso pode ser uma vantagem. "Foi bom ter surgido um movimento como esse agora. Este será o momento de cobrar dos candidatos a regulamentação do parágrafo 5° do artigo 150."

Além do site do movimento (www.deolhonoimposto.org.br), outras ferramentas da internet passaram a ser usadas pela população para divulgação. O movimento ganhou recentemente uma comunidade nas páginas de relacionamento do Orkut. "O cidadão precisa conhecer como a estrutura tributária funciona", disse Ricardo Coube, presidente da regional Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP). "A mobilização popular é uma força que descobrimos recentemente com a derrubada da MP 232. Agora vamos usar essa mesma força para mostrar ao Brasil que entram por dia R$ 2 bilhões nos cofres do governo federal e esse dinheiro, que sai do nosso bolso, está sendo malgasto", disse Ariovaldo Ari Gabriel, presidente da Associação Comercial de Barra Bonita.

Além da Facesp, participam do movimento De Olho no Imposto o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo (Sescon) e a Associação Médica Brasileira (AMB).

Renato Carbonari Ibelli, de Bauru

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