Os moradores de Campinas entraram efetivamente na campanha De Olho no Imposto, ontem, sem saber exatamente quanto a economia local gera de tributos. De acordo com o vice-prefeito e presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), Guilherme Campos Júnior, a previsão de arrecadação municipal, este ano, é de R$ 1,4 bilhão. Ele, porém, vê como necessário um "choque de gestão" na administração pública para modernizar a máquina, mantida justamente pelos impostos.
A estrutura que impede o controle total da arrecadação pelas prefeituras expõe, em Campinas, o que o movimento De Olho no Imposto quer banir da administração pública com a proposta de resgate da "decência, respeito, ética e transparência", como definiu na palestra de lançamento da campanha em Campinas o presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Guilherme Afif Domingos. "Transparência seria o governo federal informar que baixou o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a construção civil, mas que a carga tributária do setor continua alta. O fato dos impostos absorverem metade da construção não foi informado para a população", disse.
A cobrança da população pela mudança da conduta do Estado proposta pelo movimento contagiou cerca de 100 autoridades, representantes de entidades de classe e empresários, que acompanharam o lançamento do movimento na cidade. "Em Campinas, as verbas para a saúde estão diminuindo. A população tem que cobrar transparência no gasto do dinheiro público e conhecer o que está pagando é um excelente começo", disse o presidente da Associação Paulista de Medicina e professor da Unicamp, Jorge Cury.

"Campinas vai conseguir atingir a meta de assinaturas", observou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Campinas, Djalma Lacerda. A cidade deve recolher 32.568 assinaturas até o dia 1º de maio deste ano.
Informação – O Feirão do Imposto, instalado na praça José Bonifácio, em frente a Catedral Metropolitana de Campinas, chamou a atenção da população que, já indignada com o valor das taxas, reclamou da falta de informação sobre os impostos. "Tenho 50 anos e nunca me disseram nada a respeito de impostos. Para onde vai todo esse dinheiro?", perguntou o aposentado Aparecido Vicente Ribeiro. Ele anotou em um caderno os preços e os valores dos tributos de vários produtos para conferir tudo depois, no supermercado.
Primeira a assinar a lista logo na abertura do Feirão do Imposto em Campinas, ao meio dia, a também aposentada Dirce Marchesin disse que já estava informada sobre o movimento e que foi à cidade ontem somente para colocar o nome no abaixo-assinado que vai solicitar a regulamentação do parágrafo 5º do artigo 150 da Constituição Federal, que determina a discriminação dos impostos nas notas fiscais.
Mário Tonocchi, de Campinas
Fotos: Marcos Peron/Virtual Photo