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Altos impostos revoltam Itapetininga

Frustração, indignação, revolta e decepção. Estes são os sentimentos dos cidadãos de Itapetininga, município paulista que desde ontem está De Olho no Imposto. O movimento busca captar 1,5 milhão de assinaturas para enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei popular que estabeleça a obrigatoriedade de mostrar aos consumidores o quanto há de tributos embutidos no preço de cada mercadoria ou serviço.

"Que raiva", disse a dona de casa Irani da Silva Passini enquanto passeava pelo Feirão do Imposto, montado na Praça dos Amores, no centro de Itapetininga, que simula um supermercado, com prateleiras que expõem vários produtos. Em todos, uma etiqueta indica o preço e a porcentagem de tributos embutida. "Com o imposto alto desse jeito, o governo pode aumentar o salário mínimo o quanto for que nunca vai dar para nada", reclamou.

Segundo Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), indivíduos mais informados são mais dispostos a agir, daí a importância de campanhas de conscientização como o Feirão. "Chega de ser o País do futuro. Precisamos começar a realizar o presente", afirmou Afif.

Adesão – A dona-de-casa Alais Aparecida Pereira concorda. Ela acredita que se o povo souber o tamanho da carga de impostos inserida nos preços dos produtos e serviços, vai cobrar mais do governo. "Me sinto ludibriada ao saber da representatividade dos impostos. E foi exatamente essa sensação que me fez assinar o abaixo-assinado pela transparência tributária."

Em 2005, apesar do recorde da arrecadação, o crescimento econômico foi baixo, entre outros motivos, por conta da alta carga tributária. Para o advogado Luiz Antônio Machado Werneck, se os serviços públicos prestados pelo governo fossem de qualidade, o povo não se importaria em pagar tantos impostos. "O problema é que nem 50% do que vai para os cofres públicos retornam para a sociedade", reclamou.

Meta atingida – Além de participar do movimento com o Feirão, Itapetinga ultrapassou a meta de captar 4,2 mil assinaturas. De acordo com José Carlos Cordeiro, presidente da Associação Comercial de Itapetininga (ACI), um dia antes do início do movimento, a cidade já havia obtido 5,2 mil assinaturas. "E não vamos ficar nisso. Esperamos chegar a 10 mil", avisou Cordeiro. Até 1º de maio, a região (Itapeva, Piraju e Capão Bonito, entre outras cidades, pretende alcançar 23 mil assinaturas.

Para isso, a região conta com um agente multiplicador aplicado: o vereador mirim Lucas Roberto Nagata Lopes, de 12 anos. Ele visitou o Feirão do Imposto para levar à Escola Estadual Darcy Vieira, onde cursa a 6ª série, o que aprendeu sobre impostos. "Aprendi que quase metade do preço de alguns produtos vai para o governo. Era bom que esse dinheiro virasse benefício para a população", disse.

Hoje, a caravana do De Olho no Imposto chega a Sorocaba, interior de São Paulo.

Laura Ignacio, de Itapetininga

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