Do chão de fábrica em Itapira, interior de São Paulo, até chegar às prateleiras dos supermercados do País, um ventilador chega a acumular 42% do preço em impostos. "Daí a importância do movimento De Olho no Imposto. Conscientizando a população sobre isso, com certeza ela vai cobrar a contrapartida do governo", disse Paulo Stivalli Júnior, proprietário da indústria de ventiladores Qualitas. A empresa tem sede em Itapira, que recebeu ontem a caravana do De Olho no Imposto.
O movimento precisa coletar pelo menos 1,5 milhão de assinaturas para levar ao Congresso Nacional um projeto de lei popular que regulamente o parágrafo 5º do artigo 150 da Constituição Federal. O dispositivo garante ao consumidor o direito de saber o quanto há de tributos embutidos nas mercadorias e serviços que adquire. "Com isso o povo vai passar a questionar o governo: para onde foi o dinheiro da CPMF que deveria ser investido no hospital do meu município?", indagou Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Itapira, Luiz Arnaldo Alves Lima, provocou os políticos presentes e pediu a participação ativa dos parlamentares para que o Congresso aprove a reivindicação do De Olho no Imposto. "É importante que o movimento não fique só no discurso", disse.
Adesão – No que depender dos cidadãos de Itapira, o movimento vai longe. O município ultrapassou sua meta inicial de captar 2.150 assinaturas. "Já coletamos 3.282 assinaturas!", comemorou ontem o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Itapira (ACEI), José Luiz Lopes.
A estratégia foi simples. Lopes visitou todas as empresas associadas à ACEI para explicar a finalidade do movimento e deixar listas para que fossem colhidas assinaturas dos funcionários dessas empresas. "Além disso, várias lojas de departamento deixaram folhetos explicativos e listas de adesão nos balcões de crediário para colher assina-turas dos clientes", revelou.
Stivalli, da Qualitas, também fez sua parte. "Passamos o abaixo-assinado entre os 70 funcionários da indústria e convidamos clientes e fornecedores a assinar também", explicou o empresário.

De acordo com Fábio de Oliveira, representante do Sindicato das Empresas de Contabilidade do Estado de São Paulo (Sescon-SP), a conscientização da sociedade é a melhor forma de combater o inferno tributário e burocrático atual. "Gostaria que essa chama do De Olho no Imposto deixada aqui se multiplicasse pela população", afirmou.
Feirão – Prova de que o movimento tem atingido o povo nas ruas, além do número de assinaturas coletadas até agora – que ultrapassa 60 mil –, é a participação da população das cidades visitadas pela caravana do De Olho no Imposto. O Feirão simula um supermercado, deixando expostos em prateleiras os produtos mais consumidos pela população, com os respectivos preços e carga tributária embutida nele. A maior parte das reações foi de surpresa e indignação. "É um absurdo! Não sabia que em alguns produtos os impostos são quase a metade do seu preço!", afirmou a dona de casa Isabel Aparecida de Souza em visita ao Feirão do Imposto.
Hoje, a caravana chega
a Campinas (SP). O prazo final para a coleta de assinaturas é 1º de maio
Laura Ignacio, de Itapira