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Campanha ganha as ruas de Marília

O movimento De Olho no Imposto ganhou as ruas de Marília ontem. Literalmente. A Prefeitura da cidade do interior paulista bloqueou uma das quadras da via mais movimentada do município, a Rua São Luiz, para a realização do Feirão do Imposto, uma espécie de supermercado onde, junto a cada produto, é colada uma etiqueta que mostra o preço e o quanto há de tributos embutidos nele.

O Feirão animou tanto os moradores de Marília que, logo no primeiro dia, alcançou 4,04 mil assinaturas, das 6,6 mil estabelecidas como meta para a cidade. "Nosso objetivo é fazer a população ir atrás para saber para onde vai o dinheiro sacrificado que pagamos ao governo por meio dos tributos", disse Sérgio Lopes Sobrinho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marília (ACIM). Já toda a região, incluindo a cidade, captou 17,9 mil das 25,3 mil previstas.

Com o total de 1,5 milhão de assinaturas, o movimento quer apresentar ao Congresso Nacional um projeto de lei popular que, caso seja aprovado, regulamentará o parágrafo 5º do artigo 150 da Constituição Federal. O dispositivo prevê que todo cidadão brasileiro tem o direito de saber quanto paga de tributos sobre produtos e serviços.

Cobrança – Uma das principais finalidades do movimento é mobilizar a população para cobrar do governo a contrapartida da arrecadação. "Infelizmente, o serviço público no Brasil é ruim porque o povo pensa que, por ser de graça, não se pode cobrar qualidade. Pode sim. E é por isso que pagamos impostos", ressaltou Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

O diretor regional do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo (Sescon), Emir Castilho, lembrou ainda que foi com a iniciativa das mesmas entidades que hoje participam do De Olho no Imposto – cerca de 150 – que a MP 232, medida provisória que aumentava a carga tributária das empresas, principalmente as do setor de serviços, foi derrubada no Congresso Nacional. "Agora, estamos unidos em luta pela transparência dos impostos", disse.

Participação – E desta vez, a sociedade civil está mais participativa. "Isso vai acontecer cada vez mais porque o empresário só recolhe o imposto, pois quem paga mesmo é o consumidor", afirmou o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Cláudio Vaz. A mostra dessa participação aconteceu ontem em Marília. A pedagoga Eloísa Sanches de Camargo Barbosa achou um absurdo o quanto se paga de impostos no País.

O que lhe chamou mais a atenção foi a porcentagem de tributos embutidos no preço final de uma panela: 44,4%.

Em tempo de volta às aulas, a comerciante Rosa Lopes ficou boquiaberta com a carga tributária embutida no material escolar, como apontador (44,4%), lápis (36,2%) e régua (45,8%). "Meu Deus, não sabia que era tudo isso", disse, indignada.

Hoje, a caravana do De Olho no Imposto chega a Itapetininga. O prazo final para a coleta de assinaturas é o próximo 1º de maio, Dia do Trabalho.

Laura Ignacio, de Marília

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