Seu Irineu, dona Cleide e dona Maria, todos da Silva, não contiveram seu espanto ao conhecer a carga tributária que incide sobre os produtos que compram no dia a dia, em especial, os remédios: 36%. E carregaram no verbo. "Que barbaridade!", "Que dinheirama!". "É muito dinheiro demais", concordaram. Os três estavam ontem no Feirão do Imposto, armado na Praça da Marisa, centro comercial de Mogi das Cruzes, a 60 quilômetros da capital paulista, para marcar a décima terceira parada da caravana da campanha De Olho no Imposto, movimento pela transparência tributária.
O movimento De Olho no Imposto, que já coletou até o momento mais de 130 mil assinaturas, das 1,5 milhão que serão enviadas ao Congresso Nacional pedindo a regulamentação do parágrafo 5º do artigo 150 da Constituição Federal (para mostrar na nota ou cupom fiscal o montante de impostos pagos sobre produtos e serviços), mexeu com a vida desta cidade.
Inferno – Pouco antes, no Teatro Municipal Vasques, lotado com líderes de entidades locais e regionais, o presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Guilherme Afif Domingos, mostrou o "mapa do inferno" – a carga tributária e o emaranhado burocrático – que "atazana" e cria "pegadinhas" para impedir o desenvolvimento do cidadão, das empresas e do País. "Agora o consumidor vai saber que todos os recursos saem do seu bolso, mas não retornam em serviços públicos", disse. O auditório lotado participou de uma simulação feita por Afif com a Calculadora do Imposto para mostrar que para cada salário formal pago, praticamente outro vai para o Estado em forma de arrecadação.
Apoios – Os parceiros da ACSP e Facesp na campanha De Olho do Imposto participaram e marcaram posição, elogiando a liderança de Afif. "O importante é que o movimento não beneficia nenhum setor em especial, mas torna o consumidor um cidadão consciente", disse Cláudio Vaz, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). "Também fica claro que pouco do bolo arrecadado vai para os municípios, que têm a responsabilidade de atender a população", acrescentou José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Cresci).

Para a presidente da OAB de Mogi, Creuza Lima, a "nossa entidade sempre foi parte desse processo de levar a cidadania ao consumidor". Humberto Sergio Batella, representando Antônio Marangon, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo (Sescon-SP), a entidade vai agir como agentes multiplicador do De Olho no Imposto, junto a outras entidades e à população. "Esse é o nosso trabalho agora", resumiu.
Meta ultrapassada – O vice-prefeito de Mogi das Cruzes, vice-presidente da Facesp, e presidente da Associação Comercial local, Marco Aurélio Bertaiolli, acredita que o movimento pela transparência tributária iniciado no início do ano vai crescer rapidamente na região porque se trata de um projeto que valoriza o município e o cidadão, além de ajudar a dar mais eficiência ao gasto público. Ele garantiu que a região vai conseguir coletar entre 80 a 90 mil assinaturas, sendo 12 mil apenas na cidade de Mogi.
Sergio Leopoldo Rodrigues, de Mogi das Cruzes
Fotos: Patricia Cruz/Luz