Rodovias esburacadas, sem acostamento, placas ou qualquer outro tipo de sinalização. Não foi fácil para o movimento De Olho no Imposto seguir ontem de Araçatuba para Presidente Prudente. A rodovia Raposo Tavares parece ter sido esquecida pelo governo do Estado, que deveria destinar recursos para conservá-la trafegável.
Apenas na região de Presidente Prudente, 18 mil veículos passam diariamente pela rodovia. Muitos destes motoristas não sabem, mas cada um deles paga, e muito, para que o governo arrume as estradas. Em cada saco de arroz, na conta de água ou qualquer produto ou serviço que o cidadão compra, estão embutidos impostos, que teoricamente deveriam ser revertidos em benefícios para ele, como melhoria das estradas e rodovias, o que na prática não acontece.
A chegada do movimento De Olho no Imposto a Presidente Prudente pode ser uma ferramenta para fazer o cidadão da região se conscientizar sobre essa realidade. O movimento pretende colher assinaturas de 1,5 milhão de pessoas e encaminhar ao Congresso Nacional para, por meio de um projeto de lei popular, fazer constar nas notas fiscais o quanto de imposto está embutido no valor final do produto.
Multiplicadores – Para Ricardo Anderson Ribeiro, presidente da Associação Comercial e Industrial de Presidente Prudente (ACIPP), o importante é que o movimento consegue juntar a sociedade civil em torno de uma bandeira. "As adesões aumentam, mas o trabalho precisa prosseguir, principalmente para que as idéias cheguem às pessoas mais simples, que não têm acesso aos jornais. Por isso o engajamento de associações de bairros da cidade é importante", disse.
Em Prudente, que pretende angariar 24 mil assinaturas, o Feirão do Imposto ganhou jeito de megastore. No lugar de um toldo em praça pública, o cenário foi uma antiga loja, na praça Nove de Julho, local de maior movimento da cidade. Lá, os produtos expostos traziam em suas etiquetas, além do preço final, quanto dele equivale aos tributos.
"O consumidor reclama com razão dos preços dos produtos, mas reclama para pessoa errada: o comerciante. O real vilão da história são os impostos agregados a cada produto durante sua cadeia produtiva. É isso que queremos mostrar ao consumidor", comentou Vitalino Crellis, presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Alta Sorocabana.
Já Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e da Associação Comercial de São Paulo, lembrou que ao contrário do que os governos dizem, sobre "taxar" profissionais liberais e empresas, na realidade quem paga os impostos é o consumidor final. "E o pior é que no Brasil, além de pagar os impostos, ainda é preciso pagar todo o resto, como saúde e educação porque a pública é ruim", disse Afif Domingos.
Para Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e da Associação Comercial de São Paulo, a primeira semana da jornada foi positiva. "A receptividade que tivemos por onde passamos bate com os dados da pesquisa que realizamos anteriormente (93% dos entrevistados disseram que os governos não utilizam bem o que arrecadam)", disse Afif.
"As pessoas acreditam que são isentas de impostos, que só pagam IPTU e IPVA. Isento não existe. Quando se toma um café na esquina, 50% do valor pago por ele é imposto. É o que todos precisam saber", disse Fernando Carballal, diretor da regional de Presidente Prudente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP)