Depois de São José do Rio Preto e de 200 quilômetros de estradas no interior paulista, a caravana pela transparência nos impostos chegou a seu novo destino: Ribeirão Preto. Aqui, a meta é coletar 60 mil assinaturas para o movimento De Olho No Imposto, proposta que busca reunir 1,5 mil adesões de pessoas de várias cidades para regulamentar por projeto de lei popular o parágrafo 5° do artigo 150 da Constituição federal, que prevê que todo cidadão tenha o direito de saber quanto paga de imposto em cada produto ou serviço que compra.
Enquanto a caravana seguia na estrada, a linha de frente em Ribeirão, a Associação Comercial e Industrial local (Acirp), estruturava o centro de operações do movimento – o Feirão do Imposto, instalado na Esplanada do Teatro Pedro II, no centro. Por volta do meio-dia, duas horas depois de a coleta de assinaturas começar em Ribeirão Preto, mais de 400 nomes estavam na lista.
"Esse é só o começo. Agora nosso trabalho será difundir o movimento na cidade, por meio das entidades para criarmos multiplicadores da proposta. Assim, postos de coleta de assinaturas serão montados em lojas e shoppings. Mesmo quando acabar o Feirão, no sábado, teremos um quiosque no ponto onde ele estava", afirmou Francisco Pinghera, presidente da Acirp.
Até dia 23 de fevereiro a caravana percorrerá 17 cidades. Ribeirão Preto foi o segundo destino, onde desembarcaram, além de Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Cláudio Vaz, presidente do Centro das Indústrias do Estado (Ciesp), representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Sescon, da Força Sindical e da Associação Médica Brasileira (AMB).
"Nossa entidade aderiu ao movimento porque, como cidadãos, queremos saber por que nosso País está entre os que mais forçam a carga tributária. Mas, apesar disso, não temos retorno decente. Falta decência nesse País", disse o médico Eleseu Paiva, ex-presidente da AMB.
Como o médico, quem passava pelo Feirão também ficava estarrecido com a indecência dos tributos. Havia filas de moradores esperando para acessar os computadores instalados no local. Eles davam acesso ao Impostômetro e à Calculadora do Imposto.
O agente de viagem Romário Oliveira foi ao Feirão com a esposa Bartira. Como muitos, ele também quis saber quanto de imposto pagava a cada ida ao supermercado. Oliveira usou a Calculadora do Imposto. "É um absurdo. Não tem imposto no País, e sim confisco porque não retorna nada em nosso benefício", lamentou o agente de viagem.
"Precisamos formar cidadãos conscientes. Quando souberem que o mensalão, por exemplo, saiu do nosso bolso, vão passar a reivindicar seus direitos", comentou Afif Domingos a um auditório tomado de lideranças de Ribeirão.
Fim do dia, começo de mais uma etapa da jornada da caravana para a transparência dos impostos. Com a tropa reunida, mais 100 quilômetros de estrada serão cruzados pelo movimento até a cidade de São Carlos, seu próximo destino.