A cidade de São Carlos, não por acaso, é considerada um dos principais pólos de tecnologia do País. O município tem um dos maiores percentuais de pós-graduados e doutores por habitante. Mão-de-obra fartamente utilizada nas cerca de 8 mil empresas locais e 660 indústrias, que vão de micros a multinacionais. Esse foi o terceiro destino da caravana pela transparência nos impostos.
O objetivo na cidade é coletar ao menos 35 mil assinaturas para o movimento De Olho no Imposto. Uma tarefa fácil, segundo o presidente da Associação Comercial de São Carlos, Marcos Martinelli. Fato confirmado após a abertura do Feirão do Imposto.
Jovens e nem tanto, doutores ou não, a reação dos cidadãos é sempre a mesma ao descobrir que quase a metade de tudo o que pagam ao comprar um produto é tributo: pegar a caneta e dar seu apoio ao movimento. O esforço é para reunir 1,5 milhão de assinaturas para regulamentar, por projeto de lei popular, o parágrafo 5° do artigo 150 da Constituição Federal, que prevê que todo cidadão deve saber quanto paga de imposto nos produtos e serviços que adquire.
Balanço – Até a última sexta-feira, mais de 5,5 mil assinaturas foram contabilizadas em São José do Rio Preto, cidade onde a carreata começou, e Ribeirão Preto, a segunda parada. Até 23 de fevereiro, a caravana vai percorrer 17 cidades. As assinaturas serão colhidas até 1º de maio.
Para Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e da Associação Comercial de São Paulo, a primeira semana da jornada foi positiva. "A receptividade que tivemos por onde passamos bate com os dados da pesquisa que realizamos anteriormente (93% dos entrevistados disseram que os governos não utilizam bem o que arrecadam)", disse Afif.
Em São Carlos, o auditório da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) foi pequeno para acomodar todas as lideranças interessadas em conhecer a campanha. Uma das autoridades presentes era Diana Cury (PMDB), presidente do legislativo local, que prometeu difundir o movimento na cidade. "Podemos ser multiplicadores da idéia, convocando audiências públicas para tratar do assunto", afirmou.
Renato Carbonari
Ibelli, de São Carlos
Fotos: Daniel Gallo