O movimento De Olho no Imposto vem se multiplicando a cada semana: mais de 60 mil brasileiros já aderiram ao abaixo-assinado para que a sociedade saiba o quanto há de impostos embutidos nos preços dos produtos e serviços que consome. Na última sexta-feira, a caravana do De Olho no Imposto visitou a cidade de Sorocaba, interior paulista, onde conseguiu mais 1,4 mil adesões.
Com um total de 1,5 milhão de assinaturas, o movimento pretende levar ao Congresso Nacional um projeto de lei popular que, se aprovado, regulamentará o parágrafo 5º do artigo 150 da Constituição Federal. De autoria de Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o dispositivo garante ao consumidor o direito de saber o quanto paga de impostos quando compra uma mercadoria ou serviço.
"Temos conseguido grande adesão por onde passamos porque a reação da sociedade já havia começado com a derrubada da MP 232", lembra Afif Domingos. Em 2005, empresários, consumidores e trabalhadores se uniram contra a Medida Provisória
nº 232, que aumentava a carga tributária principalmente dos prestadores de serviços.
Para Cláudio Vaz, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que acompanhou a caravana, se a população for conscientizada do quanto paga de imposto, será mais vigilante quanto à qualidade dos serviços públicos. "O Brasil tem a carga tributária da Suécia e serviço público do Haiti", compara.
Serviços ruins – O ex-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB) Eleuzes Paiva lembrou da falta de retorno à população. "Hoje quem pode tem plano de saúde, porque se tiver de ir para as filas do Sistema Unificado de Saúde (SUS) poderá ter que esperar por até mais de 90 dias para ser atendido. Temos que mudar isso cobrando a contrapartida do governo pelos impostos arrecadados", afirmou.

O porteiro Claudionor Geraldo foi um dos cidadãos sorocabanos que assinaram o abaixo-assinado depois de visitar o Feirão do Imposto, armado em frente à Catedral Metropolitana da cidade, no centro. "Sabia que pagava imposto, mas não tinha idéia de que era tanto", disse. Para ele, a área mais abandonada pelo governo é a saúde. "Já cheguei a levar meu sogro a um hospital e não tinha médico. E para onde vão os impostos?", indagou. O Feirão simula um supermercado, mas junto aos preços das mercadorias consta também a carga tributária de cada uma delas.
O casal Vilfredo Luiz Maravieski e Maria Helena de Araújo também ficou assustado com o que viu no Feirão. "O pior é saber que a sociedade paga tanto imposto sobre produtos básicos, como o arroz e o açúcar", disse Vilfredo. Do preço do arroz, 18% são impostos.
Na próxima quarta-feira, a caravana do De Olho no Imposto chega a Itapira, também no interior de São Paulo. O prazo máximo para coleta de assinaturas é 1º de Maio. "Vamos correr para que o Congresso aprove o projeto de lei ainda neste ano", afirmou Afif.
Laura Ignacio, de Sorocaba